Felicidade no emprego não é um app

Quantas vezes em rodas de amigos você não ouviu ou você mesmo disse coisas do tipo: “não estou feliz no trabalho”, “queria trabalhar em uma empresa que me fizesse feliz” ou “estou a procura de um emprego onde eu realmente seja feliz”. Aparentemente este é um assunto em alta, basta ver a quantidade de sites que fazem consultoria para pessoas que buscam empregos, artigos – como este – falando sobre o que fazer quando se está infeliz no trabalho, até mesmo no Linkedin pessoas oferencendo este tipo de serviço partindo da premissa que você pode não estar feliz onde trabalha.

No meio deste turbilhão de informações, dicas, consultorias, ofertas – e a falta – de empregos, fica a dúvida: Como encontrar um trabalho que me deixará feliz? Não vou entrar no mérito de diferenciar trabalho de emprego, por hoje, vamos assumir que são a mesma coisa.

Para entendermos um pouco mais o motivo de estarmos constantemente lidando com essa questão de emprego dos sonhos, vamos dar um passo para trás e olharmos o momento que estamos vivendo como um todo. Nossa sociedade atual lida com uma tremenda quantidade de informações em um curto espaço de tempo. Isso se dá ao fato da tecnologia ter avançado ao ponto de termos em nossas mãos um aparelho mais poderoso do que o computador que foi com o homem a lua em 1969, trazendo para o nosso cotidiano a instantaneidade de tudo.

Quer marcar um encontro? Tem um app pra isso.
Quer conhecer alguém? Tem um app pra isso.
Quer fazer um pagamento? Tem um app pra isso.
Quer se divertir? Tem um app pra isso.
Quer aprender? Tem um app pra isso.
Quer ouvir uma música nova? Tem um app pra isso.
Quer trabalhar? Tem um app pra isso também.

Basicamente a tecnologia nos permite ter instantaneamente diversas coisas que antigamente levariam um tempo bem maior. E antes que alguém pense que estou criticando o avanço tecnológico, não estou. Acho ótimo, inclusive tenho amigos que usam tecnologia… há. Inclusive meu trabalho é esse, deixar a vida das pessoas mais fáceis através da tecnologia. O ponto principal que quero levantar aqui, é a consequência de nos acostumarmos com a tal da instantaneidade. De acharmos que conseguimos tudo com um toque, com um app ou com um site.

A relação da instantaneidade de tudo com a felicidade no emprego
Não existe aplicativo que nos trará realização profissional ou felicidade no emprego. Assim como as relações interpessoais, o ambiente de trabalho também está sendo afetado diretamente por esse novo conceito de ter tudo a um toque – que alias é o slogan mais clichê para tudo que é app. Um relacionamento estável e saudável não acontece de uma hora para outra, da mesma maneira que ser feliz no seu trabalho não acontece instantaneamente.

A felicidade e a própria realização profissional surgem da combinação de pequenas atitudes do dia a dia, do ambiente em que se trabalha, das pessoas com quem você trabalha, da nossa atitude diante os desafios, do nosso aprendizado, ou seja, ser feliz no seu trabalho vem da sua consistência diária. Assim como manter um relacionamento, assim como ter um corpo saudável, assim como aprender uma nova língua, assim como ser bom em um esporte, ter felicidade no trabalho também exige dedicação.

“A intensidade não funciona. É a consistência. Se você treinar na academia por 9 horas, você não entra em forma. Mas se for todos os dias por 20 minutos, você entra.”
– Simon Sinek sobre realização profissional

Haverá situações em que você precisará ir atrás, buscar outras oportunidades e isso pode acontecer pelos mais diversos fatores. Porém, paralelo a isso, também temos que aceitar que essa tal da felicidade no emprego não é um app.