Datilografia, a profissão do futuro

A famosa máquina de escrever foi inventada por volta de 1843 e já em 1880 foi adotada no mercado corporativo. No Brasil ela foi bem difundida, inclusive todo um mercado em torno dessa ferramenta foi desenvolvido aqui. Grandes bancos como o Bradesco, tinha em suas agências setores específicos para manutenção dessas máquinas, escolas de datilografia foram criadas, saber datilografar era um requisito para conseguir um bom emprego, entre tantos outros empregos, funções, empresas que foram criados devido a máquina de escrever. Porém, as empresas de máquinas de escrever, tiveram seu declínio no início de 1990. O motivo? O computador.

Agora, por um segundo, pense quantos profissionais ficaram desempregados, quantas empresas faliram e outras tiveram que mudar de ramo devido a defasagem da máquina de escrever. Ok. Qual seria a melhor solução pensando neles? Criar uma lei que proíba o uso de computadores visando obviamente essas profissões e empresas.

 

Resistência à tecnologia

Se você achou isso ridículo. Bem vindo ao clube. Isso está acontecendo atualmente nas mais diversas áreas. Um exemplo simples, você já deve ter assistindo algum filme norte americano em que as pessoas abastecem sem a ajuda de alguém. Já parou para pensar porque não fazemos o mesmo no Brasil? Porque existe uma lei que proíbe o uso de bombas de autosserviço visando o emprego dos frentistas. Ou seja, você pagaria mais barato no combustível e esperaria menos tempo para ser atendido, mas vai continuar pagando mais devido a resistência à tecnologia que temos no Brasil.

Já imaginou se fosse proibido o uso de lâmpadas elétricas em postes pois os acendedores de lampiões ficariam desempregados? Já imaginou se o uso de carro fosse proibido pois os cocheiros e fabricantes de carroças ficariam sem trabalho? Já imaginou proibir o uso do Uber para pois iria prejudicar os taxistas? Já tentaram proibir, não conseguiram. Agora tentam de tudo o que podem, prejudicando o avanço tecnológico, usando a idéia de regularização como escudo e com o discurso que lutam pelos datilógrafos, digo, profissionais. A justiça brasileira fez algo inédito, reconheceu vínculo de empregado entre Uber e motorista. O prefeito de Campo Grande – MS quer igualar as regras de taxistas e motoristas de Uber. Se você procurar, achará outras notícias mais.

Alguns tentam barrar ou protelar, mas a verdade é que a tecnologia e os avanços nas mais diversas áreas estão atropelando profissionais e empresas. E agora? Como já dizia Billy Beane:

“Adapte-se ou morra.”

Frentistas e taxistas são os novos cocheiros e datilógrafos, seu declínio é eminente. Acredito que os motoristas de Uber também estão na mira da tecnologia com os carros que dispensam condutores. Ainda haverá muitas outras profissões com o mesmo destino, como operador de telemarketing, caixa bancário, corretor imobiliários, entre outras (talvez a minha). Mas da mesma maneira que há profissões em declínio, há outras em ascensão. O que é tragédia para uns, é oportunidade para outros. A frase atribuída a Darwin se encaixa perfeitamente aqui: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.”

Não há como impedir o avanço das novas tecnologias, mas podemos dar uma mãozinha para não demorar tanto. A melhor maneira de fazer isso é através do seu voto. Sugiro que você faça uma breve pesquisa sobre quais são os políticos e partidos que votam a favor do tipo de lei que dificulta nosso avanço tecnológico e não vote neles, simples. Eles não foram responsáveis por todos o benefícios que a tecnologia nos trouxe, aliás, se dependesse deles, hoje a datilografia seria a profissão do futuro.

Update: Já não é de hoje que a TV aberta mostra uma resistência quando se trata de internet. O clássico entre Atlético-PR e Coritiba simplesmente não aconteceu porque estavam impedidos de transmitir o jogo pela internet. [Saiba mais no artigo do Vinícius de Amaral] Acho que vou datilografar uma carta de reclamação e mandar por fax.

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